terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Li em 2013 #2


O segundo livro que li este ano, na verdade, foi uma releitura. A primeira vez que eu li "A menina que não sabia ler" foi no começo de 2012 e, desde então, é meu livro preferido! Não gosto muito de reler ou rever coisas, mas este é uma exceção. Estou inclusive planejando relê-lo de novo!

*OBS: Não se enganem pelo título, a história pouco tem a ver com "A menina que roubava livros"! O título original é "Florence and Giles".

Também não gosto muito de livros com narrativa em primeira pessoa, mas este é, novamente, uma exceção. A história é contada por Florence, uma órfã extremamente inteligente e imaginativa para os seus 12 anos. Em vez de limitar a visão do leitor, a narrativa nos coloca dentro da mente da Florence e nos faz enxergar através de seus olhos, que é a verdadeira sacada do livro. Isso faz com que a gente se pegue tentando separar, em alguns momentos, o que realmente aconteceu do que só aconteceu na cabeça da garota. E a linguagem utilizada não é de forma alguma infantilizada, muito pelo contrário! Como a Florence é uma assídua leitora (sendo seus escritores preferidos Shakespeare e Poe), ela possui um vocabulário rebuscado o suficiente para nos transmitir sua história com precisão, como ela mesma diz no início do livro. Mais do que suficiente, eu diria, pois me encantei demais com a escrita do John Harding! Eu costumava ler os capítulos duas vezes, uma prestando atenção exclusivamente na história e outra só para admirar a maneira como ele usava as figuras de linguagem e outros recursos de escritor divo, haha. Aliás, o próprio livro foi inspirado nas obras de Edgar Allan Poe, o que torna tudo ainda mais sensacional. 

Agora, vamos à história! 
(desculpem, não concordo em separar história de estória, caso alguém se incomode com isso)

Florence e seu irmão mais novo, Giles, perderam seus pais em um acidente de barco. Desde então, moram em Blithe House, sob a tutela de um tio que nunca viram pessoalmente. Assim como a propriedade, a criação dos órfãos é neglicenciada, ficando a cargo dos empregados da casa e, por conta da mentalidade machista do tio, somente Giles recebe educação escolar. A despeito disto, Florence, em uma de suas muitas andanças pela propriedade, acaba por descobrir uma biblioteca abandonada. Graças à sua inteligência excepcional e a algumas letras que "rouba" de John, o empregado, aprende a ler sozinha. A partir de então, a biblioteca se torna seu verdadeiro lar e também seu maior segredo, uma vez que ninguém pode desconfiar que Florence aprendeu a ler, desobedecendo às ordens de seu tutor.  
Porém, maior que o medo da garota de ser "desbibliotecada", como ela mesma diz, é perder seu irmãozinho, Giles. E a chegada de uma nova preceptora (uma espécie de professora que educa as crianças em casa) ameaça tornar todos os seus medos realidade. Principalmente porque alguns fenômenos sobrenaturais parecem acompanhar a misteriosa mulher. 

Até então parece um enredo simples, mas eu posso garantir: não é. Justamente por causa da mente fantástica de Florence que é, ao mesmo tempo, surpreendentemente racional e talvez exageradamente criativa, somos mergulhados nos planos e estratagemas mais complexos que se possa imaginar. 

Bom, não vou falar muito mais porque o livro funciona como uma cadeia, ao meu ver, uma coisa leva à outra. E o legal é ir descobrindo as coisas junto com a Florence, tentar acompanhar sua linha de raciocínio um tanto excêntrica e ver os seus planos engenhosos em ação. E, claro, ficar de boca aberta por uns 10 minutos com o desfecho da história.

Para terminar, vou fazer uma lista das 
4 coisas que me fazem amar tanto esse livro:

1) Florence. A princípio, pode-se pensar que ela é apenas uma garota solitária e entediada que passa tempo demais sonhando acordada pelo casarão abandonado. Ou pelo menos é assim que os empregados de Blithe House a enxergam. Mas, na verdade, Florence é excepcional. Ela consegue ser, ao mesmo tempo, genial e um tanto maluca. No decorrer do livro, você pode chegar à conclusão de que Florence é uma personagem assustadora, mas ela não é má. Talvez só seja racional demais (beirando a psicopatia, eu diria). Ou imaginativa demais e realmente muito maluca, segundo algumas interpretações. 

2) Foi inspirado nas obras de Edgar Allan Poe. O livro tem toda essa pegada meio gótica, com toques de sobrenatural e suspense. O tom macabro contrasta bem com a leveza do livro, o que achei genial. 

3) Você tira suas próprias conclusões. Nem todas as respostas são dadas. Pelo menos não mastigadinhas e explícitas. Vi muita gente dizendo que se decepcionou com o livro porque achou "sem pé nem cabeça" a inclusão de fatos sobrenaturais sem uma explicação lógica no final. Acho que, talvez, essas pessoas não tenham entendido muito bem que, no caso de "A menina que não sabia ler", cabe ao leitor desvendar o mistério, levando em consideração a missão de separar o que é real do que é imaginação da narradora. É mesmo um livro de muitas interpretações. 

4) O final. Não vou falar mais absolutamente nada a respeito dele, a não ser que foi o desfecho mais surpreendente que eu já li na minha vida! Reli algumas vezes para ter certeza de que não tinha entendido errado, haha. Vale muito a pena!

Enfim, essa foi a minha "resenha" do meu livro favorito. Não acho que é o melhor livro que já li, mas tem algo nele que me encanta e faz com que eu tenha vontade de ler e reler muitas vezes! Gostaria muito de saber a opinião de quem já leu ou ficou com vontade de ler! Tchau, tchau!

9 comentários:

  1. Eu achei esse livro incrível quando li!!
    Não é o meu favorito, mas é muito bom!

    http://4demarco.blogspot.com.br

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  2. Que bom que você gostou, Káren!!

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  3. Oi,

    Tem como não querer ler esse livro depois desse post? Hehe tá todo munco comentando sobre ele, que curiosidade. Amei o esclarecimento. Como sempre, o Português alterando o sentido dos títulos internacionais.

    Beijos


    --
    www.mentesolvente.blogspot.com

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  4. Obrigada, Paola!! Fico feliz em saber que meu entusiasmo te deixou com vontade de ler o livro, porque realmente pareço uma doida falando desse livro ASHUASHU Pois é, odeio essas alterações de título.. Um de meus livros preferidos, "O Físico", não tem nada de física e na verdade deveria chamar "O Médico" -.-

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  5. Já li esse livro :D Mas não lembro quase nada :/ estava super ocupada quando ganhei, e ai fui lendo aos poucos. Devo ter demorado alguns meses, inclusive :/ Mas lembro de ter gostado e de ter torcido pra menina resolver logo o problema UAHAHUHA
    Preciso reler com mais calma, qualquer dia!
    Beijos!

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  6. Nossa, releia muito, Pam! É um livro que é legal ler numa "tacada só", sabe? Super apoio *0*

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  7. oi adore seu blog ja to te seguindo, pode retribuir http://coffeein-paris.blogspot.com.br/

    bjus

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  8. /\ ninguém merece esse tipo de blogueira.
    Mas enfim.
    Oi, Beatriz! Já vi minha prima lendo esse livro, mas nunca tive a curiosidade de lê-lo. Mas, agora estou curiosa, levando-se em conta o fato de que o nome da protagonista é Florence (eu sou apaixonada por esse nome) hahaha Gostei muito do seu blog e sua resenha está ótima! Beijos :*

    Diário de Florence {http://diariodeflorence.blogspot.com.br/}

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  9. Pois é, né -.-

    Também sou apaixonada por esse nome! (Eu tenho uma lista de nomes para colocar em personagens/bichos de estimação, haha). Espero que você goste quando ler! :D

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Oi, queridos! Aqui é seu espaço, podem colocar os pés no sofá.